23 de fevereiro de 2013

Do amor


Chegando na encruzilhada
Eu tive de resolver:
Para a esquerda fui, contigo.
Coração soube escolher!
(Guimarães Rosa)


Amor, eu te peço perdão. Se sempre foi o meu tema favorito, meu anseio, minha busca; foi quando te encontrei de verdade que calei. Fiquei silenciosa diante da experiência linda e imerecida de encontrar o amor. Revi meus conceitos, meus textos e minhas resoluções. A espera me pareceu tão curta, amor. Tu és menos espalhafatoso do que dizem. Realmente há em ti a força alegre que dizem, mas é uma força tranquila, muito tranquila. Descobri que tu tens um jeito misterioso, cuidadoso, sutil e, despudoradamente, simples. Deveria ter anunciado aos quatro cantos que te encontrei. Mas o encontro foi tão surpreendentemente diferente que eu me calei. Como a gente se cala diante de milagres, envolta em uma atmosfera de surpresa, sem acreditar no que essa vendo. E eu te vi, te vejo e me surpreendo, agradeço e me calo. Desculpa, amor, não é ingratidão. É que me parece um segredo inviolável. Parece que as pessoas não vão entender ou não acreditar ou as duas coisas juntas. Então eu guardo com carinho torcendo que eles te recebam um dia com a mesma candura. Porque, amor, eles não acreditam mais. Eles te confundem com tudo, absolutamente tudo. Eternizaram em filmes e livros mentiras a teu respeito e as pessoas passam a vida reclamando que não te encontram. Elas não sabem que estão desejando tudo, menos a ti, amor. Não aceitam segurança, paz, espera, amizade. Não aceitam o amor como o amor é. Se eu contasse, eles também não acreditariam. O mundo anda tão ruim, que as pessoas andam se recusando a coisas boas. Não está fácil por aqui, amor. Mas você existe. E é tão milagrosamente possível. Também tive dúvidas, também desacreditei. Por isso guardo o silêncio do encontro tão desejado, mas julgado tão incerto. Por isso me desculpe, amor, por não ser justa de te escancarar depois de tanto desejá-lo. Ainda vou contar de ti. Um dia, logo. Mas por enquanto não vai embora daqui. Nunca mais, sim?

10 comentários:

Maristela Carvalho disse...

Conta, Maria. Mesmo que o amor tenha sido abocanhado pelos desencontros e modismos. Ouvir (ler) sobre as peripécias dele faz muito bem. É melhor proclamar o que é lindo, e ele é.

Lívia disse...

É sempre lindo te ler. Uma calma, uma doçura, um fio de cumplicidade que me liga ao que é verdadeiro.

breno disse...

Encontrei.Meio estranho,mas encontrei.

Luana Gabriela disse...

Maria, quanto mais escrevo, e leio, percebo que ao fim, o amor é o que cala. É o silêncio na sala, e o riso quieto de olhos pequenos, e sopro no vento.

Lindo seu texto!
Bjos

Luciana Brito disse...

Que texto lindo!
Acho que silenciar diante do amor é uma reção tão linda quanto a de gritá-lo aos quatro cantos.

Beijo!

Karine Tavares disse...

ownnn, chorei.
Lindo teu blog, parabéns!
Vem conhecer o meu:
leiakarine.blogspot.com

:) disse...

Doce es tu!
Doce é o amor!


Bjs doce
Keila

Erica de Paula disse...

Tanta saudades de ti, amora!

Bjos no coração!

Moacir Alves disse...

Os rios correm para o mar, inevitavelmente...

aluah disse...

bem menos espalhafatoso como dizem, sim
bruto, e manso