5 de maio de 2012

A magia


No café da manhã engole a sua infinidade e caminha carregando o peso de estar presa em si mesma. Caminha atentando os detalhes, procurando uma companhia. Não corresponde ao comum, não se encaixa. Sorri um sorriso que as pessoas não conseguem devolver, deseja um bom dia que as pessoas não conseguem entender. Está sempre quieta, tranquila, praticamente alheia. Está tão sozinha por fora. Mas à noitinha ela tranca a porta e a magia acontece. Ela cospe a intensidade guardada e se veste dela mesma. Assiste a vida passar lá fora como se não fizesse parte dela. A vida dela está toda do lado de dentro. Tem amigos imaginários, paredes terapeutas e almofadas que conseguem abraçar. Faz poesias enquanto cozinha e consegue enxergar a cor dos sentimentos. Tem uma alma toda colorida - em tons pastéis. Ela brinca, canta, sorri, dança, desenha, chora, perdoa, fotografa, se faz companhia, se admira. Ela se liberta. Até que ela cansa (a intensidade a deixa exausta). Então ela dorme cansada de existir. Adormece com um sorrisinho de quem não está sozinha. Até a manhã seguinte, quando ela acorda.