19 de setembro de 2010

O milagre

Por amor a ela.

Há quem diga que não tem cura. Eu duvido. Duvido, quando tanto em nós já foi curado. Duvido, quando foi o improvável que nos descortinou os olhos, quando foi a tristeza que nos ensinou a alegria. O custo é alto - dói - mas liberta. A gente aprende não exatamente a desprezar outras bobagens coisas, mas a dar a elas apenas o tamanho e o espaço que merecem. Deem-nos licença os disparates, temos mais a viver. Temos pressa em viver. Sinto um pouco de pena dos que se fazem sofrer por nada, sinto um pouco de alegria por, mesmo em lágrimas, viver a cura. A vida anda toda intensa. E preenchida por milagres. Milagre mesmo é o amor. É o perdão, é a generosidade. O câncer cura. E nos salva de nós mesmos. Por isso, duvido. Recuso-me a desesperança. E tem sido bom viver assim. De novo a vida reaviva o que realmente importa e nos chama (rápido!), não há vida a perder.