1 de novembro de 2009

Vasto

Ela olhava e percebia tudo passar assim, breve. Sentiu o cheiro da terra, o cheiro do sol. Podia bailar o mundo inteiro com a simplicidade estampada dos coloridos de uma alma recentemente alforriada. Tinha naquela sabedoria silenciosa certa paz, alguma ou nenhuma espera. Compreendeu após as buscas por outros que tudo foi procura desnecessária. A busca era pelo de dentro. Procurou em outros sua própria alma. Desvairo. Ainda busca, mas agora por diversão. Diverte-se nas almas alheias. Faz dos amores, recreios. Sem pecados, com encanto. Um prazer indivisível. Todos são, pois não? O sentir é solidão de cada um. Como ele que prefere os começos, ela que já escreveu o fim. Compartilham então o meio - o presente - aquele sempre ignorado. Ela não consegue fazer com que sintam o amor que divide e assim, pôr fim às dúvidas. Ele não consegue que dividam o medo que sente e assim, dêem o agrado certo. Impossível pedir que alguém sinta o mesmo. Basta que alguém esteja disposto a tomar parte. A lógica se inverte mais tarde. Ou a vida não é isso? Esses desencontros de emoções que nos levam a novas chances no futuro ou frustrações bobas no presente - o que preferirmos. Não existe nada mais tirano do que as expectativas que, inevitáveis como são, tornamos maiores do que nós mesmos, impossíveis. Alimentamos a cada dia a nossa frustração. E somos tolos o suficiente para chorarmos com susto o que plantamos cuidadosamente todo o tempo. Já diria a canção: ‘e tudo que eu criar pra mim, vai me abraçar de novo na semana que vem’. Ela estava na janela espiando a vida lá fora. O cachorro que passeava após conseguir fugir e a alegria da liberdade, imbatível. Os namorados que timidamente conversavam e a beleza dos olhares dos que se querem bem. Os adultos que passavam de carro sem tempo para ser felizes, piedade. As crianças que de cócoras colocavam a plantinha para dormir. Que de súbito em uma corrida sorriam o que alguns levam anos para sorrir. Que tinham cabelos desalinhados e dentes faltando e ainda assim, gargalhavam beleza. Ah, a pureza das respostas das crianças. Ela sentiu um alívio ao pensar que alguém ainda sabia viver. E era ela.

41 comentários:

Marcelo Mayer disse...

ela soube viver pq não sabia a resposta de como viver. resumindo. ela é simples

belo!

Branca disse...

Profundo isso...é tão simples e tão complicado ser 'simples', viver sem expectativas, sem cobranças, apenas saboreando o presente.

Muito bom o texto. Gosto demais daqui!


Deixo um beijo e o desejo de uma semana de muita paz!

Clara disse...

Ai Maria , amei teu texto.
depois obrigado pelas palavras lá no janelas...
beijos !!

Tatiane Trajano disse...

E a vida é assim... simples!
No final, é preciso saber viver.

Beijo-beijo

Erica Ferro disse...

É tão simples, que se torna complicado.
Porque nós... ah, nós não sabemos enxergar o óbvio. Pelo menos eu não sei. :S

Lindo texto. Me senti 'ela'.

Beijo, Maria.

Natacia Araújo disse...

Uma simplicidade aberta, desnuda na primeira palavra.
Lindo!

Grã disse...

Sabia que não deveria pois, ao ler, a alma se desabotoaria mais um pouquinho de seu corpo já pesado de passado e mesmo assim leu. Leu porque mais do que esperar, procurava esse descolamento e já adivinhava de onde ele viria, ou poderia vir. Leu com avidez tentando quase que ouvir cada palavra daqueles lábios que desconhecia, tentando ver no vão de cada frase aquela que estaria ali se despindo prá ele, entregando-lhe o que lhe era mais caro: o sonho. Intuia-lhe o sorriso ao rabiscar frases de um presente livre. Inapropriadamente imaginava-se acompanhando-a, mas ainda a uma distância incômoda, sentia o perfume abandonado numa esquina, mas não havia ninguém na esquina (havia esquina? ;) ). Seguia-a como podia... e não podia.

Mariposa Louca disse...

Gostei do seu blog
do texto
:)
bom feriado
beijos

Erica Maria disse...

Gosto mto do q escreves :)

É de um encantamento pleno :)

Bjos e saudades de ti querida♥

Filipe Garcia disse...

Poucos sabem que a vida é coisa simples. E dos que sabem, menor ainda a porcentagem daqueles que fazem disso uma verdade.


Beijo!

Sidney Andrade disse...

Por causa do título, e aproveitando a citação do texto anterior, lembrei-me deste:

"Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração."

Drummond tem sete faces, quantas são as tuas, Maria?
Beijo vasto no coração vasto.

Priscila disse...

Belissimo Maria!
Não sei se ainda sei viver..

Beijos

Marcelo Novaes disse...

Dentro desse mosaico, eu me agacho. E observo a criança semeando alguma possível alforria futura.

Ou ninando.






Beijos,






Marcelo.

Ulisses Oliveira disse...

Olá, Maria ...

Fico feliz por ir ao meu blog e tb por responder minhas questões na comunidade ... rsrs ... bjao!

Maryama* disse...

Maria, querida.
Tem mais um selinho pra você no blog ;*

Sabina a comlombina disse...

Gostei bastante.

Luna disse...

Maria, é por esses e outros textos, que você merece cada selo que eu ganhar.ever.

tem selo pra vc no blog.

beijo.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

texto cheio de ternura

Marguerita disse...

Tão difícil achar a resposta nestas coisas tão simples!

Adorei o texto!
Bj

disse...

Mas foi uma mistura tão misturada que parece passado, presente e futuro num resumo do dia de hoje.

Uffa o bom é saber "que tudo que eu criar pra mim, vai me abraçar de novo semana que vem"...

Andréa Cavalieri disse...

"Tinha naquela sabedoria silenciosa certa paz, alguma ou nenhuma espera. Compreendeu após as buscas por outros que tudo foi procura desnecessária. A busca era pelo de dentro. Procurou em outros sua própria alma. Desvairo."



Impressiona-me tua destreza em lidar com palavras simples diante das grandes questões existenciais de todos nós. Essa procura externa é sempre, sempre um desvario...
Saudades de ti e das palavras que vem de ti.
Adoro!
beijos meus...

Roberta Blá disse...

Sabe qual é a diferenças nas suas palavras?
É que elas pulsam tão vivas em meu peito e o aquecem tão verdadeiramente que é impossível conter o meu sorriso!
Adoro aqui.
Tem selihno pra vc lá no meu blog flooor!
beeeijos

fernando disse...

A pura metafísica, talvez exista nas coisas simples e nos momentos comuns do dia-a-dia, seus textos tais quais os da Sra Lispector e da SRa Woolf demonstram isso, por meio da leitura desses, aprendemos a visualizar o invísivel cotidiano em toda a sua beleza e complexidade.

Hosana Lemos disse...

eu me perco e viajo lendo teus textos...
são tão lindos, sinceros!


bjos, flor

.

Luana Gabriela disse...

"Ela não consegue fazer com que sintam o amor que divide e assim, pôr fim às dúvidas. "
Lindo, Maria..Lindo tudo!

E como diria a música é preciso saber viver... hehehe

Bjosss

Beatrix disse...

*O Incessantes em 'parceria' com a Bibi [calçados] esta fazendo uma promoção.
Passa por lá pra se informar e não deixe de participar.=D

Robson disse...

mt coisa

Pati disse...

Oi Maria
Acabo de passar alguns bons momentos me atualizando dos seus textos! Sempre tão belos! Adoro!
Adorei "A porta"!
bjs e muito obrigada pelos carinhosos comentários no meu blog!

Auíri Au disse...

Me sinto bem aqui...
Me sinto bem com suas palavras..
Beijos

Fernanda. disse...

Em meio a tanto caos.
é bom quando percebemos que sabemos viver!


Você é incrível...
escreves maravilhosamente, docemente.. e me encanta.

Lua disse...

Nem todo mundo sabe viver e ser simples, então admiro-a.

Bom fim de semana querida e beijos!

Dani disse...

Eu que agradeço a visita!
Adoro vagar pelo seu cantinho!Sempre me encanto com suas palavras doces e leves..

Bj0 grande.

Andrey Brugger disse...

Faltariam palavras para descrever as maravilhas que leio aqui.
Obrigado pela honra de ter lido o que começo a rascunhar lá no agravo e nos outros blogs! hehe
beijos igualmente doces, maria!

Mariposa disse...

lindo seu texto, ja disse, mas nao custa repetir ne

Mayana Carvalho disse...

A simplicidade estampada daquele que sabe viver.
"ser simples, é ser incrível!"

Beijos

Poetinha Feia disse...

Olá!!!

QUe belas palavras!! Belas e ternas... Viver com simplicidade sem perder a inocência isso é um desafio que carrego em mim e luto para não perder.

Saudades de passar por aqui e ler suas belas palavras... Bjo!

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Néctar da Flor faz a primeira Blogagem Coletiva onde o tema é: Um conto de amor com cheiro de Néctar da Flor. É com muita felicidade que convidamos todos a conhecer um mundo encantado que há dentro de cada um. Conte um conto, seja personagem da sua história e sinta cada palavra escrita na hora que for contar.



As 10 melhores postagens com o tema levarão um layout personalizado ou uma página de scrapbooking digital. O restante das informações já estão incluídas na imagem acima e a inscrição já está aberta.


Basta colocar nessa postagem o seu nome, o nome do blog que irá concorrer e o email.



Faça parte dessa festa... que festa?



Aquela que se fantasia com emoção...



... VEM?





Obs: Quem for participar tem que levar esse selo abaixo e deixar visível para todos verem.



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... disse...

Oie com toda certeza irei creditar, se deixem algum sem credito é porque não achei no seu blog e sim em outro que não estava creditado, por isso não sabia o autor.. pode me ajudar a lembrar quais são teus textos para eu creditá-los? :D

Grã disse...

Um dia eu ainda consigo descrever o que você me causa.

Por enquanto só posso agradecer!

1000 beijos, meu anjo!

Maria Andrade Vieira disse...

não há porta que não se abra ao lhe ver passar, vida.

Marília disse...

Ei! porque me emocionas tanto?! saiba você que li esse texto muitas vezes, e ao tentar comentá-lo, sempre fico com a sensação de que não comentei a altura do que ele me causou. Por isso deixo aqui registrada a minha sensação, porque nele já está para mim tudo dito. Nele há vida, há o breve da vida que nos passa, há o instante... há a Maria!
Beijos