5 de outubro de 2009

Bordada de Flor

“Vai ver era só dizer a ela assim:

-Oi Moça, por favor, cuida bem de mim”


(Menina Bordada)


Apreciava aquele cheiro, a doçura que emanava. Amava o cheiro indiferente à mudança de perfumes. Namorava a aura imaculada. A pureza encontrada. Ela parecia não viver na selva em que ele habitava. E de alguma forma, os passos o conduziram além. ‘É preciso ver além, é preciso sempre ver além’. Os olhos descortinaram-se e não sabia mais serem seus olhos ou a imagem dela. Ela lembrava poesia, “a cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro”. Como alguém mantém candura nesta vida de maldades veladas com tanto bel-prazer? Este ar casto preservara-se para ele? Ela seria dele? Desconfiava, ele era dela. E ela não podia ver ou não se importava. Permanecia com ar de superior independência - independência de fina flor - mesmo tendo a medida exata dele.

16 comentários:

Erica Maria disse...

Mas ainda é possível preservar a doçura mesmo no mundo de hj...e seu texto é a prova disso...

Tá lindo :)

Bjos, te gosto :)

Roberta Blá disse...

Há um tempo existia alguém que me pertencia,ele era a medida perfeita pra tudo em minha vida .Mas,eu concluí que o meu coração não olha a perfeição quando escolhe alguém para amar.
Adorei o texto!
beeijos flor

«Line» disse...

Dpois de algum tempo lendo vc, posso afirmar que conquistaste uma grande admiradora de suas palavras! Vc tem um caso de amor lindo com elas e eu admiro isso por demais.

Essa menina é mesmo muito bonita, queria alguém assim por perto, sempre bom ter perfume de flores e canto de pássaros por perto.

Bjm

Leandro Fonseca disse...

saudades das tuas palavras. não sei porquê, mas me lembrei de um livro belíssimo que estou lendo, do eça, "o primo basílio"... beijos, minha querida. beijo do teu fã.

Fabricio Carlos disse...

ahh... quanto tempo não passava por aqui... saudades
tô de volta (aos poucos), é sempre bom ler o q vc posta por aqui...

bjs...

Fernanda. disse...

Ah...
quanta doçura em um só texto. Belíssimo!!

Beijinhos

Luana Gabriela disse...

Ai Maria, ler você me dá esperança sabia?

Ainda acredito que breve leremos o E depois...dessas perguntas todas que fazemos!

Boa Semana!

Bjos

Bê Matos disse...

É, Maria.. você conseguiu me deixar sem palavras. :)

Vai ver, é só preciso alguém me dizer o que o Marcelo Camelo cantou, no início do texto. rs

Beijão :*

fernando disse...

O fato de haver a dúvida se um pertencia ao outro, mostra como a política econômica invadiu as áreas sentimentais, pois amor é uma relação de troca, e não de pertencimento, mas sim de completude.
Bom texto!

Qualquer Um disse...

Cara Maria,

O charminho feminino, mesmo quando aparece em um texto leve, lírico e gostoso de ler como o seu, é inconfundível:-)

um ab
Edu

Andréa Cavalieri disse...

Maria querida
Acendes em meu coração
Uma chama de luz todo dia
Que meus olhos encontram suas palavras traduzidas em mais pura
poesia

Lindo,como sempre!

Grã disse...

Antes de mais nada obrigado.
Obrigado pela visita e, principalmente, por deixar seu rastro por minhas linhas, espero que tenha gostado e que volte sempre.
Eu já havia lido seu texto, comecei a escrever algo mas desisti de postar, talvez pelo desconforto que gerou a semelhança das situações:
"Ela seria dele? Desconfiava, ele era dela. E ela não podia ver ou não se importava."
Se tivesse que apostar, apostaria tudo: ela é dele. Mesmo contra todas as evidências... me lembrei de uma música que fala mais ou menos assim:

"Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho,
tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz...
Mas se a ciência provar o contrário,
e se o calendário nos contrariar,
mas se o destino insistir em nos separar:
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas,
os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos,
profetas, sinopses, espelhos, conselhos,
Se dane o evangelho e todos os orixás!
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz."
Vou posta-la se não conhecer dê uma passadinha lá!

Beijos Maria!

Luna disse...

andei sem tempo de visitar os blogs que gosto tanto. acabei de me arrepender de nao ter tirado cinco minutos do meu dia, pra vir aqui, ler você.

você permanece sempre doce e leve.
[suspiros]



beijos imensos.

Marília Salles disse...

Maria linda, quanta beleza!
São palavras doces e delicadas para falar de algo tão intenso. Consegue ter leveza porque ela estava e via além, tinha a independência... "mesmo tendo a medida exata dele". Lindo mesmo...

Paulo disse...

Olá,

"é Preciso sempre se ver além"...
Para se tentar ter a medida exata,
Dos sentimentos de alguém.

Há! Se conseguissemos...

Moça, você sempre encanta
com os significado profundo da sua substância!

Alma Colorida, Caleidoscópica!

Desnuda disse...

Maria, todos já disseram tanto...Mas este tanto ainda que muitas vezes somado, eu não teria palavras ou pretensão grafológica para a dimensão deste texto tão sutil e peneirado, que paira como pó no ar que eu agora respiro. E sinto o perfume. Sorvo a doçura. Mas desta vez, mais fora de mim do que dentro de mim, sem peso, sem nenhum cálculo e até sem (meu) alcance intelectual, totalmente fluídica, embora lúcida, reconheço e identifico este bordado tão rico e o acabamento perfeito deste texto fina flor

Um beijo e meu carinho.