28 de julho de 2009

Por hora

Acho até bonita esta sobriedade que tem sido alimentada. Isso é ser gente grande, então? Chega a ser bonito seus olhos tentando ter menos brilho, para ter mais sabedoria. Acho bonito começar a colocar em prática esse plano, o de não fazer planos. Mas confesso que olhando bem, o brilho continua muito forte. No entanto, mais intimista, não menos convidativo, e surpreendentemente, mais generoso. Talvez seja esse aquele amor que dissemos tanto que viria para ti. Ou talvez não. A aceitação da alternância agora também brilha nos olhos. Talvez seja adulto conseguir rir do que a pouco foi tão doloroso, mas teve seu valor. Percebo, a cada dia mais, a liberdade é o vínculo mais forte que pode existir entre os corações. ‘Há uma calma que não condiz com a nossa pressa’. Não é falta de desejo, é o compromisso com o que se quer - que vai além de quem se quer. Somos o que fazemos, não é? Só em você essa verdade me alivia. Sigo os mesmos passos e, aceito tua verdade, não há paradoxo em ser livre e estar acompanhado. Inspiro-me em Lispector e atrevo-me a dizer que o que queremos não é liberdade, o que queremos ainda não tem nome. Mas de alguma forma já está por aqui.

14 comentários:

Leo Mandoki, Jr. disse...

somos feitos de acontecimentos. E pode ser que nos caiba a probabilidade de sermos livres. A qq instante.
beijocas

Taiguara Rangel disse...

Volte a escrever com mais frequência!

Também eu estou precisando de mais sabedoria e menos brilho nos olhos, tais quais teus dizeres.

Andréa Cavalieri disse...

Ahhh Maria...
É que possuo olhos traidores.
Aqueles que não conseguem disfarçar brilho algum,jamais mentem qdo encontram o seu objeto do desejo, o movimento fixo de pupilas, estrelas que saltam deles!
...
Quem me dera saberem mentir, um pouquinho que seja para me proteger
do desasossego declarado das grandes paixões!
Lindo aqui, como sempre.
beijos meus

Leandro Fonseca disse...

"a liberdade é o vínculo mais forte que pode existir entre os corações"

caralho, que foda, maria.
que foda mesmo.
meu deus.
sem palavras.

Ruberto Palazo disse...

Engraçado como alguns textos parecem ler nossa alma... to nesse sintonia única tbm, uma calmaria desconhecida, como se fosse o olho do furacão!!

@line-;-- disse...

Há tempos que não lia um texto tão intenso e descritivo sobre relacionamentos. Ter Lispector como inspiração só poderia dar nisso.

Vc deixou-me sem ar! Lindo

Beijinhos

Aninha disse...

Adorei o texto e a parte em que vc cita Linspector é perfeito!

bjinhos*/~

Erica Maria disse...

Estava com saudades de ti querida!

Que lindo texto!!

Bjos em teu coração lindo :)

aaluah disse...

acho que quero a mesma coisa que queres, não ter planos (mesmo que isso seja implicitamente um plano).

uma liberdade que una dois corações.

João Cautiero disse...

Obrigado pela visita no meu blog.
Você fez o concurso do IBRAM pra qual cargo? Eu fiz pra geógrafo.
Você escreve muito bem! Deve ter feito uma boa redação! hehe

Miguel Angelo Moreira disse...

Olá. cheguei até seu blog atrvz de e-blog. adorei seu trabalho.
parabens, seu texto é um coringa, como uma carta do tarot que se aplica a vida de muitas pessoas...
tens uma sensibilidade surpreendente.
obrigado por compartilhar, acompanharei sempre que possivel.

fraterno abraço

fernando disse...

Tenho desconfiado que o maravilhoso de fato está por aqui, mas o problema são meus olhos e minha mente, que de tõ apegados á razão da vida adulta me impedem de ver.
Estou aprendendo a ser conciso contigo, tenho escrito algumas coisas que em breve postarei.

Desnuda disse...

Minha querida,


so mesmo voce, Maria, para fazer um belo texto e muito bem inspirado nos mesmos tons deste mar de sensibilidade " Ceciliano". E acho sim que o que queremos, ainda não tem nome. Mas de alguma forma já estava por aqui. E daí, acrescento a tua frase maravilhosa no perfil “Agora que eu posso dizer. Eu já era o que sou agora. Mas agora gosto de ser”


Enorme beijo, Maria!

j.qualquercoisa disse...

Olha, vou te confessar: já tô há dias, quase 1 semana com este teu texto no pen drive e em todo computador que eu chego dou uma lida nele.
É como se... não! Eu simplesmente não sei o que dizer.
É como se ter um grito na garganta e ele não conseguir sair.

Sou apenas eu? Ou você me apreende melhor em teu olhar direto? Não sei, e talvez nem queira saber, pois o fato de fazeres parte da minha vida já é o suficiente. Não poderia cobrar nada mais à Criação.

Sentes o meu pulsar? Eu te sinto em cada mililitro de meu sangue.
Amo-te em um sentimento que sei nomear...

Beijos