4 de junho de 2009

Verdade

A mentira sempre foi detestável para mim. Por motivos muito pessoais, sempre a vi como inimiga. Concordo muito menos com pequenas mentiras. Reflexo de quem, desde sempre, teve grandes amores roubados por mentiras. Histórias que em minutos descobria-se mentira, pura, única e absoluta. Daí minha aversão às pequenas mentiras encobertas, que sei bem, muito bem, crescerão e novamente me roubarão muito. Marcas que faço questão de não perder. Vou ao extremo de que se não pode contar a verdade, não faça. Hoje me percebo esquisita quando vivo relações vista por outros de impróprias, mas que se mantém pela verdade. Vejo-me estranha quando não consigo alimentar amor por quem me faz mal, a despeito de todos que choram anos por não conseguir se desligar de quem tanto mal lhe faz. Perdoe-me, mas não sinto pena de quem alimenta mentiras e quer colher verdades. Não gosto de feições caprichadas para enganar corações sinceros ou lágrimas que tornam vítima quem não é. O mundo não perdoa os fortes, e há quem acredite que dramatizar o torna mais amado. Prefiro relações práticas, de quem ama em gestos. Prefiro não escutar declarações e ter certeza de que a companhia é certa. E ironicamente, embora tenha uma visão bastante romântica, não suporto mentiras melosas. Romântico para mim é estar junto com sinceridade, com amizade certa, apesar das diferenças e dissentimentos. Não acredito que seja romantismo manter a alegria fingida que não permite verdades com o pretexto de manter a aparência. Não consigo ver a lógica de alguém se sentir amado sabendo que amam nele uma mentira. Pois bato o pé e afirmo que não quero essa espécie de amor que mente para proteger. Isso soa tão irônico para mim, que como defensora nata do amor, acho um desrespeito chamar de amor. Quem ama não engana, não omite, não mente. Quem ama pode errar, é possível. Mas por ser amor, são sempre bem claros os sinais de que a intenção era pura. E antes que me julgue exagerada, purista ou falsa moralista, eu digo que não acho ou penso, mas tenho certeza, muita certeza. Afinal, eu amo. Na verdade, eu amo.

5 comentários:

guilhermina, (ataulfo) e convidados disse...

então não é assim: meia verdade, uma mentira inteira?
beijo
guilhermina

fernando disse...

É você tocou num tema que de fato me incomoda, esta noção de que a hipocrisia é a verdade que todos preciam para conviver em sociedade, não me convence, já abri mão de muitas relações por causa disso, mas não me arrpendo.
...de quem ama em gestos.., este trecho é genial!

Luana Gabriela disse...

É Maria.. lindo texto de verdade...

Bjos

Paulo disse...

Cara Maria!

Sabe, nunca concordei tanto com um texto como esse seu, não saberia definir melhor um relacionamento com amor e o sentido de Romantismo.

Abraços, sinceros!

Diii disse...

"Prefiro não escutar declarações e ter certeza de que a companhia é certa."

Perfect!

Bjim, flor!