24 de março de 2009

A ti, mãe do príncipe

Em memória de João

Não há consolo para muito amor, querida. A saudade cresce da mesma forma que ele estaria crescendo, tal qual o amor que cresce sem pedir presença. Gostaria mesmo de te segredar os motivos, algo que fizesse a dor passar; mas detenho-me ao que se teve: seria melhor não ter este amor e viver opacamente sem esta lembrança ou conviver com todas as lágrimas a custo de ter tocado em um amor puro, em sua essência? O que de melhor um filho poderia te trazer senão um amor imaculado? Tuas lembranças serão de um ser que veio te trazer um amor, tinha um pequeno tempo para isso, e o fez em sua plenitude. No mais, além de trazer, ele levou teu amor, foi desejado e te teve por inteira durante todos os dias em que esteve aqui. Acredito que foram escolhidos para estar juntos, e há tanta honra nisso. Teu filho te deixou mais bonita, vestida desta beleza sábia de saber que a vida é breve, muito breve, e que quando alguém se vai, deixa um pedido de que por aqui se viva melhor. Teu filho, querida, veio nada além do que te trazer vida. E se tudo não tivesse sido exatamente como foi, não teria cumprido o propósito a quem se destinou. Sei disso mesmo sem tê-lo visto, porque, afinal querida, ele deixou esta vida em teus olhos, em teu sorriso, em teus passos. Pelo teu príncipe, de vida breve que se fez eterna, que seja um dia dedicado a agradecer pelo que se viveu e pelo que se deixou. A saudade que se tem é reflexo do amor que somente ele poderia ter te dado. Então, vamos guardá-la bem perto do peito, vamos fazer questão de manter sua lembrança viva para que não se esqueça jamais da luz que ele trouxe. Uma luz destas que guiam e que melhoram o mundo, mesmo deixando uma saudade inconsolável. A ti, príncipe, uma promessa de que, em breve, terá novamente os braços de tua mãe. Ela saberá que era assim que deveria ser, exatamente assim. A ti, mãe do príncipe, a certeza de que teu filho te deu o melhor presente que poderia: devolveu-te a ti mesma. Em memória de ti, AnJoão, o melhor amor que houver.

19 comentários:

Erica Maria disse...

Ah,era um bb que estava por vir?

É isso?

Lindooooooo!

Muito bonito e tocante!

Bjo!

guilhermina, (ataulfo) e convidados disse...

Há momentos em que a gente pensa sem poesia, até que a poesia se põe. Mas ela se põe para poucos, muito poucos... os outros só veem dor. O que seria da mãe do João, não fosse existir Maria. Querida, não sei como consegues, mas te agradeço por conseguir. Um beijo.
Guilhermina

TECHWARE BRASIL disse...

Olá Maria,

"Me digas com quem andas, que direis quem tu és!"

Teu coração te denuncia e já fala a todos com quem tu andas, não precisa dizer mais nada.

Encontrei palavras sempre doces, inteligentes e cheia de amor. Muito bom, não é mesmo!?

Roberto Ramos

Auíri Au disse...

Que tristeza, o fim.
O amor nunca morre.
O tempo o consome um pouco, mais a cada segundo, lembramos mais forte!!

Beijos

Roberta Fauth disse...

Amar às vezes dói muito. Seja o amor terreno, homem-mulher (e suas variações), seja o amor que é sim, pra sempre - mãe-filho.
E podemos todos ter certeza absoluta e incontestável: ele pode até ser cruel,pode até doer demais, trazer o sofrimento da solidão ou da saudade, mas o amor de um filho é o ÚNICO atemporal. Sagrado. Eterno.
Parabéns, Maria... amei!

Susanna disse...

Minhas lágrimas.
Meu abraço.
E muito do meu carinho.

Aline Romero disse...

Voce transformou uma situação tao obviamente triste numa beleza tão tocante...
Talento puro, ao meu ver.

Ilton Santana disse...

Perfeito!

lindíssimo o texto, suave e poderosa a poesia!

abraços

Claudete disse...

Obrigada por fazer Parte da minha vida!
Um abraço da mãe do João

Cadinho RoCo disse...

Na vida devemos estar sempre preparados para as passagens quw acontecem a todo instante.
Cadinho RoCo

Paulo disse...

Olá Maria,

Você conseguiu com sua poesia demonstrar o propósito dessa passagem, com todo o amor que a envolveu. Belíssimas palavras!

Flores a você!

Sabrina Davanzo disse...

Maria, deixei um selinho lá no inverso para vc, passe lá para pegar!

Um beijo!

Desnuda disse...

Maria...Confesso que jamais conseguiria escrever para uma situação desta. Aliás nem falar..Só consigo doar o meu abraço amoroso, meu colo, meu silêncio e dividir lágrimas. E voce conseguiu de forma linda, tranquila, confortante. Palavras que não só sentimos como assimilamos de fato. Um conforto para o espírito! Você conseguiu o que pouquíssimos conseguem. A dor é tão grande! E lendo-a, acomete-nos uma paz...


Carinhoso beijo minha querida.

Anônimo disse...

lindas palavras e doem a quem o conheceu e viu de perto um amor tão puro, entre ele e sua mãe...
Rejane Savir

fernando disse...

Como escreveu o Bonfá: "Nada explica e nem consola/ deixar de existir", mas suas palavras tornam a situação mais amena.Já passei por uma semelhante.

mahilda disse...

LIIIIIIIIIIIIIINDO............

mahilda disse...

Suas palavras sábias descreveram perfeitamente o próposito de João.Ele nos deixou muita saudade mas um ensinamento infinito na vida de todos que o conheceram,foram poucos dias mas uma grande lição como: não desistirmos fácil da vida mas sermos fortes o suficiente para sabermos a hora que o pai nos quer na sua presença.Obrigada João.Onde vc está tenho certeza que tens orgulho de ter sido gera
do por uma mulher de uma fortaleza invejável

Princesa disse...

Nem consigo imaginar...

Lindo, triste e alegre ao mesmo tempo.

Um beijo e bom fds

Sandra Leite disse...

Maria

Te visito há algum tempo mas nunca comentei. Acho seu texto de um lirismo absurdo. É sua alma quem escreve. Palavras acertadas, esculpidas pro texto. Que você se aventure cada vez mais nos seus textos. Boa viagem:)

beijos