29 de outubro de 2008

Meu super-herói

Quem são os heróis desta vida?! Quem são os verdadeiros campeões, grandes, exemplos? Eu te digo: herói é quem consegue levantar por vontade própria, confiança e amor. É quem admite que tem problema e aceita pedir ajuda. Sabe o que significa isso? Admitir para o mundo cruel em que vivemos que tem fraquezas, e que precisa de ajuda para sair deles? Não sei se teria tamanha coragem. Na minha infantilidade ainda me tranco para ser vista somente sorrindo, forte e exemplar. Seria a mesma mulher maravilha se pudessem estar no meu quarto quando as luzes são apagadas? Quando posso fazer o que ninguém saberá? Ou quando derramo minhas lágrimas de pedido desesperado de ajuda, mas estou com a porta trancada impedindo que qualquer ajuda chegue até mim? Super-herói foi ele que ensinou para gente que lutar por quem ama não é fraqueza, de nenhuma forma. É exemplo não porque não caiu, é exemplo porque quis sair e fez sua parte para isso. Sinto orgulho de vê-lo fazer o certo, quando eu certamente não o faria. Sinto orgulho do pai que é, do filho que sempre foi. Não é clichê, é verdade quando digo que o que os outros dizem não importa. Na vida de todos que o amam ele é campeão, ele já saiu ganhando. Há aquelas coisas que, por maior amor que tenhamos, não podemos mudar pelo outro. Há sempre o que depende única e exclusivamente dele. O máximo que podemos fazer é, de longe, desejar a felicidade e observar as escolhas, que não podemos tomar, que o levarão até lá. De longe o desejo sempre foi de sucesso pelo bem que representa e traz para a vida dos outros. Ele tem que ser feliz porque ele faz os outros felizes, e poucos tem esse dom lindo de trazer luz para este mundo. Com o coração admirado e desejoso de paz e saúde na vida dele, eu afirmo com o desejo profundo do meu coração: eu quero ser igual a ele quando eu crescer. E muito me lembra: “Campeão, vencedor... Deus dá asas, faz teu vôo”...

27 de outubro de 2008

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Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.



Lya Luft



Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie