28 de agosto de 2008

Eu não explico

Para Vida

Gosto de datas. Há dias que pareciam ser insignificantes, mas depois ganharam cor e brilho. Vida! Hoje dentro de mim há festa pra comemorar o encontro, a presença, o afeto! Tem coisa que é só nossa. Certa sintonia entre as pessoas que só elas compreendem e só elas sabem o que de fato acontece. Sempre haverá pessoas que se diferem. Em afinidades, gostos, pensamentos... Ou em nada disso, mas mesmo assim são diferentemente especiais de alguma forma. Nesse caso, pra mim não foi alguém que eu conheci, mas alguém que eu encontrei. Porque a impressão que tenho é que já estava aqui, já estava presente, de alguma forma. Diria que em outra vida se acreditasse nisso. Diria que foi o destino se também acreditasse nisso. Então baseada no que acredito digo que não foi acaso e há um propósito em tudo isso. Uma admiração fidedigna, respeito verdadeiro, harmonia e carinho recíprocos. Gostaria de encontrar um nome que explicasse tudo isso, mas não consigo. Não é possível rotular o meu querido. E acho até que se tivesse um nome não o diria. É algo íntimo e cúmplice que ninguém entenderia, além dele mesmo. Como somente ele percebe, e sabe - e sente - que o que existe é grande. Muito grande. (Ida e volta!) E pra não dizer que não falei das flores: “declaro seu, e somente seu, e por culpa sua, todo o carinho que conquistou”.

Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.

- Carlos Drummond de Andrade -

19 de agosto de 2008

Natural

Espontaneidade nunca é fácil. E nunca é pequena. Devo dizer que sempre optei por discrição, e essa escolha levou-me a uma profundidade solitária, distante. Acho que no final das contas, me escondi de mim o quanto pude. Tinha uma aparente liberdade, mas estava presa dentro de mim. Eu não fui livre na minha vida inteira. E talvez ainda nem seja completamente. O fato é que por dentro eu sempre me persegui. Impliquei com minhas escolhas, meus caminhos. Cismei comigo. E resolvi combater. Mostrar que eu era o que eu queria e pronto. Deu errado. Eu fui mais forte do que minha vontade, e embora ainda esteja presa, ensinei pra mim mesma que eu não mando em mim. Assim mesmo, contradizendo tudo. Inclusive a mim! Repentinamente, sabendo o risco, mas não a dimensão, mostrei algumas coisas, partes de mim. Para pessoas, conhecidas ou não, queridas ou não. A escolha é: ou se é espontânea, aceitando que não será possível controlar o que vão achar disso; ou terá que esconder de todos. Não há como escolher quando, como ou com quem dá para ser autêntico. Ou a autenticidade é natural, ou não existe. Isso tem mais a ver com o que eu faço por mim, do que a opinião alheia. É um respeito próprio legítimo. É aceitar quem se é, e não lutar contra isso. Longe de sugerir um contentamento inútil. Não é estagnar, parar de crescer ou achar que não é possível ou necessário mudar. Mudamos a visão e os comportamentos todos os dias, sem que nossa essência seja corrompida. Sempre é possível mudar; mas até para isso é importante se aceitar, pisar seguro, respeitar-se mais do que qualquer outro faria por você. Mostrar o que se é realmente não é fácil. Aceitar, no entanto, é infinitamente mais raro, e difícil. Enquanto eu me preocupar em mostrar a outros, quem eu sou, e o que desejo; estarei perdendo tempo de sê-lo verdadeiramente. No dicionário, natural é sinônimo de espontâneo. Na prática também. Uma solidão não planejada me deixou livre de amarras e pedidos de desculpas. Alguma coisa do tipo: essa sou eu, simples e completamente. Eu NÃO lamento por sua interpretação ou o que vai fazer a respeito. E não sinto muito por não lamentar por isso! Além disso, não vou fazer nada para você acreditar. Eu sou isso, não tangível, definida e, de súbito, livre.