14 de maio de 2008

Não me faltam, me sobram...

São tantas palavras... Não me faltam, me sobram... O silêncio é pertinente e na medida exata. Para que não seja bom e/ou ruim, mas equilibrado. EQUILÍBRIO. Talvez fosse melhor reagir positiva ou negativamente a tudo. Sentir amor pode romantizar tudo. Sentir ódio pode nos instigar. E se não se torna definitivo, pode ser um bom começo. Mas atualmente não. Atualmente estou como voyeur da minha própria vida. E o silêncio é permanente, mas de onde fluem palavras. Que no seu ritmo próprio não me incomodam, nem inquietam, nem preocupam. Sou eu que estou lá sorrindo, abraçando, escrevendo; mas ausente. Bem de longe. Só observando meus dias passarem, e como a vida prossegue quando se é obrigada a encarar a realidade. Sim. Meu silêncio fala. E a mim não têm perturbado. Acautela. Consola. Abraça e acolhe. Eu sempre falei pouco. Hoje não falo nada. Não me entrego. E não é trauma. Não é medo. Nem resignação. Simplesmente sou/estou assim. Não sou falsa. Nem estou vivendo uma personagem. Mas, por vezes, visualizo meu passado, presente e futuro como uma terceira pessoa que narra os fatos de uma personagem que (não) criou e nem sabe o roteiro da história, então se torna indizível, o que remete ao silêncio. Estou na minha casa de bonecas, no mundo subjetivo; mas não como uma forma de me iludir. Só é daqui que, embora seja obrigada a passar por todas as experiências cruéis e (des)necessárias da vida, minha essência continua intocável. Meu coração imaculado. Terão ou minhas palavras ou meus silêncios. Terão metade. E, por enquanto, é tudo que podem ter. Revoltem-se ou contentem-se. Se acharem absurdo, desprezível, ridículo ou patético, cá estará eu, observando as reações e narrando minha vida.Narrando minha vida, cada passo, cada ação, cada palavra. E silenciando, quando só os olhos podem captar a mensagem. Só o coração pode sentir a fluência das emoções e das razões. E então de nada adianta as palavras, elas puramente se tornam desnecessárias.