24 de novembro de 2008

O dia chegara

Ele a amou por muitos anos, assim pensava. Entendiam-se e desentendiam-se tão bem. Não conseguiam ficar juntos e muito menos separados. Uma relação de amor e ódio bem estabelecida, anos a fio trabalhada e acalentada. Um ódio cuidado e um amor conhecido. Ele via que não tinha futuro, mas também não queria o futuro sem ela. Ele sabia que a amava, sabia que a odiava e não sabia mesmo o que sentia. Ele tentou esquecer, é inegável. Buscou outras, encontrou, foi amado, supostamente amou, mas não como a ela. Ninguém tinha o amor que ela, e nem o ódio. Era só dela, ele era só dela. Anos passaram-se. Todas as centenas de dias. Mas em um dia de raiva passageira ela fez uma insensata escolha não passageira: ela o afastou e o aproximou ao comprometer-se definitivamente com outro. Impulso e erro. Ela queria provocá-lo, e se necessário fosse, comprometeria outras vidas para isso. E assim o fez. Mal sabia que a vida mais comprometida seria a dela. E foi. Mas se deveria, isso não pôs fim ao amor/ódio de sempre. E mais anos, e mais nenhum respeito a outros corações, a outras vidas, a eles mesmos. Ele decidiu não enganar mais ninguém, mesmo com a dor de esperar sozinho por quem possivelmente não viria. E tantas dores depois de espera, ela ligou. Não a ligação comum. A ligação que ele esperara por dez anos. O dia chegara. Ela estava lá disposta a abrir mão de tudo por ele. Eu te espero, ela disse. Os segundos, os minutos, as horas passaram-se. E ele não foi ao encontro dela. Ele que esperara por dez anos por esse momento compreendeu na hora que não era ela que ele queria. Ele queria mesmo era a busca, a esperança, o refúgio. Ela tirara dele naquele momento em que se entregou a ele. O dia chegara. Então, acabou.

8 comentários:

Désir La Vie disse...

Tem gente que é assim...

Faz de conta...ou acha que ama alguém, mas na verdade ama toda a situação confunsa, instável, conturbada e difícil que permeia o "alvo" que julga ser o ser-amado...Apesar que somos nós quem criamos tudo isso!

Parece que gostamos de sofrer...
É, "o sofrimento é opcional", mas existem pessoas que precisam dele para caminhar...

Gabi disse...

Nossa, me emocionou. fazia tempo que não mesentia presa a um texto como aconteceu agora.
Parabéns!
Adorei

robovelson disse...

Mt bom o texto, merece o trofel dos grandes poetas, mas o q falar da significação dada a esse fato tão nefasto...doeu e foi incontrolável..não quis q fosse assim, não fiz por qrer, mas algo posso afirmar, tive a ajuda de um anjo... dos mais lindos e comprensivos seres divinos caídos aki no purgatório teresinense..só posso agradecê-la como num abraço..mts xeruzzzzz!!!

Jana disse...

Adorei.
Texto bacana, envolvente e - o pior - absolutamente verdadeiro.
Algumas pessoas gostam desta mistura perigosa de amor e ódio.
Eu não gosto, particularmente.
Não mais.
Ou bebo de um, ou de outro.

Grande beijo!
:)

Pavón disse...

Esse é o problema das coisas que buscamos com muito afinco, quando conquistamos parece que o caminho se foi, nao existe mais nada só um vazio... e muitas vezes um novo começo.

Beijos

SAM disse...

Triste...Suponho que seja este o final, como você disse. Esta conclusão... Vou voltar pra reler...Aprendo com voce, Maria.


Linda semana, querida e um terno beijo.

Victor Manfredine disse...

acabou.
chegou o fim.
e o fim, é sempre
'invariavelmente'
um novo começo.
=/

The Scientist disse...

maria tomou proporções gigantescas!
o mundo é pequeno demais para vc!
e isso é tão maravilhoso!
parabéns!!!!