19 de outubro de 2008

Uma carta

A certo amigo que se apaixonou - por si, talvez.




Não acho que seja apropriado conter-se tanto assim. Se tudo que você mais deseja é correr para os braços dela, não é sensato conter-se para não perdê-la. Acha mesmo que está temendo a proximidade por ela? Não seria por você? Se ela não quiser ficar perto de você, se julgar-te insensato, ela não corresponde ao que você deseja doar. Se não há troca não vale a pena. Dói admitir que o que você sonhou e idealizou tanto, pode nunca ter existido. Mas e se for a verdade? Sempre há só uma, e esta pode ser a sua. Admiro você ser tão cauteloso, mas enquanto você espera ela te ligar para dizer que quer você por perto, ela pode estar desejando profundamente que você faça o mesmo. Porque tem que partir sempre de você? ‘Sempre não é todo dia’. Não sufoque seu amor de hoje para ensiná-la a procurar por você. Amanhã pode não ter mais importância alguma. Mas, por experiência própria, acredite, é o carinho de cada dia que significa. Porque, independentemente de sua promessa eterna, os caminhos poderão se separar, e a única coisa que você sentirá é arrependimento por não ter vivido por inteiro o amor que estava em seus dias, só para ensiná-la algo que talvez ela nunca vá usar com você. O amor sempre será eterno, mas as pessoas não. O amor mudará, ganhará outra forma. E o que você lembrará? Dos momentos simples, que você admitiu e não sentiu vergonha de desejá-la tanto por perto? Ou do orgulho que te fazia adulto e te fez menosprezar teu presente e apagar tuas próprias possíveis lembranças? O tempo vai passar, o momento, até ela, talvez. Mas é hoje que você vai escolher o que recordará.

6 comentários:

SAM disse...

Maria...É agora! É hoje, porque o tempo altera as cores de uma fotografia, esvanece as cores de uma pintura e tiram ou põe o peso nas atitudes e nas palavras que são sufocadas. O silêncio perdurará em altos ecos durante a existência.

Texto que concordo inteiramente! Com vírgulas e pontos!


Grande beijo para uma enorme sensibilidade!

j.qualquercoisa disse...

carpe diem, vita finita est!

Elda e sua infinita sabedoria.
Amo-te, minha linda!

Patricia C. disse...

acho que a gente perde muita coisa por medo de arriscar. e sempre é um medo que vem de outras coisas. alguém te machucou, daí você machuca alguém, que machuca alguém etc e etc.

The Scientist disse...

quando li teu texto, foi imediato, uma canção veio em meus pensamentos...rsrsrs

SE (Djavan)
Você disse que não sabe "se não"
Mas também não tem certeza que "sim"...

Quer saber? Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe Que eu só penso em você
Você diz Que vive pensando em mim...

Pode ser Se é assim
Você tem que largar A mão do "não"
Soltar essa louca Arder de paixão
Não há como doer Prá decidir
Só dizer "sim" ou "não"
Mas você adora um "se"...

Eu levo a sério
Mas você disfarça
Você me diz à beça
E eu nessa de horror
E me remete ao frio
Que vem lá do sul
Insiste em "zero" a "zero"
Eu quero "um" a "um"...

Sei lá, o que te dá
Não quer meu calor
São Jorge, por favor
Me empresta o dragão
(Dragão...)
Mais fácil aprender
Japonês em braile
Do que você decidir
Se dá ou não...

é esse "se" que insiste em continuar nas pessoas!!!

lyani disse...

Bela carta e belos conselhos!
Concordo plenamente que só há uma verdade e que pode ser a dele, a nossa, pq não?
bjos
Ly

Sidney Andrade disse...

"é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"???

maria, maria...