10 de outubro de 2008

Não tenho mais tempo

Perdão, mas não tenho mais tempo para isso. Agora aqui do meu lado tenho não somente uma pessoa que se agarrou à vontade de viver. Tenho uma família que se agarra ao amor que desconhecia e ao desejo profundo de viver de verdade todos os dias – sejam eles quantos for. Perdão, mas não tenho mais tempo para futilidades. Bobagens não me prendem mais, nem me preocupam. Estou com aquele sentimento raramente encontrado: sentimento de vida. Desculpa se não me preocupo com sua vaidade asquerosa disfarçada de modéstia. Ou com suas briguinhas travadas por inseguranças. Não dou a mínima para fofocas. Nem importância para piadinhas de alguém. Não tenho mais tempo para nada pequeno. E nem tenho muito tempo assim para aconselhar, mas se o pudesse fazê-lo, eu diria: deixe de bobagem! A vida é grande e simples. Muito simples. Não simples de medíocre, simples de descomplicada. Não tenho braços para consolar quem se faz de vítima. Tenho braços para abraçar de fato – sem determinar vítimas ou culpados. Meus braços não discutem mais isso. Sabe, estive pensando no que estive fazendo estes anos todos. Vestindo-me para outros, agindo para os outros, escrevendo longas conclusões que nem sequer vivia? Continuo estudando, escrevendo, vestindo-me e tudo o mais de sempre. Mas sabe-se lá porque agora também tenho todo o tempo do mundo para carinhos e coisas boas. Não ouço mais se alguém fala de minha escolha ou do meu jeito. Simplesmente não ouço. Meus ouvidos estão escutando outras coisas. Não consigo mais ficar ouvindo músicas tristes na intenção sincera de prolongar minha dor. Eu prefiro cantar e criar, a todo instante, poesias para meus amores. Não importa mais se alguém está rindo de minha desgraça. Alguém, quem? Não há tempo para ver você filosofando uma fantasia, uma coisa que você não vive. Não tenho tempo para ouvir você me contar que tal pessoa disse para tal pessoa que eu alguma coisa. Perdão, mas estou sem tempo para escutar o que não importa. Não tenho tempo para suas reclamações sobre os outros. Um dia talvez perceba que não são eles que te magoam, é você mesmo que faz isso. Desculpe, mas estou andando altaneiramente. Acima de tudo que já vivi um dia. Não sei até quando, mas se não mais voltar, me desculpe. Eu te espero aqui em cima.

4 comentários:

SAM disse...

Maria,

Você fechou seu texto com chave de ouro: "Um dia talvez perceba que não são eles que te magoam, é você mesmo que faz isso."

É verdade minha querida. Nos deixamos magoar. Por que permitimos? Por que nos incomoda? Cabe a nós responder estas perguntas... Mas também te digo, por muitas vezes me deixo abater, não pelo dito, pelas palavras, mas pela violência contida nelas. Eu confesso estar em treinamento e acho que terei que me impor esta postura sempre. A cada dia...

Doce beijo querida e ótimo fim de semana.

*Os agrados que meus amigos me passam, saiba que partilho com todos os amigos. Pois tem lá uns selos pra você...

Gabi disse...

perfeito
te aplaudo de pé!
bjos

Sidney Andrade disse...

Muitos dizem: "E preciso dar tempo ao tempo", mas... se o tempo não tem a si próprio, não pode, então, ter nenhum de nós, de modo que pensar no tempo é bobagem... Mas, pensando bem, pensar tbm é bobagem. Já diria Alberto Caeiro: "Pensar é estar doente dos olhos."

gosto de tuas palavras.

breno disse...

uau...essa é a maria que não transparece em nada...vc realmente sabe ser disciplinada e acima de tudo autêntica.
tenho dito.