17 de setembro de 2008

Superação

Nas Olimpíadas a seleção feminina de futebol deu um espetáculo nos campos. O vôlei também foi bem, a ginástica fez bom trabalho, Cielo se superou. Os atletas superaram limites, recordes, foram bem, não tanto quanto esperávamos, mas bem. Mesmo considerando a superação dos limites e dos extremos se comparados aos que não são atletas, eles eram perfeitos fisicamente. Treinam desde sempre e são formados como campeões, sempre venceram; foram os melhores em dezenas de competições pra chegar ao nível de competir em uma olimpíada. Sim, isso é fato. Mas e as Paraolimpíadas?! O que seria diferente em competir tendo que superar o físico, o mental, o espiritual; tendo que superar tudo?! Não é pra desmerecer os atletas ‘perfeitos’. Mas em nível de superação que jogos deveriam ter sido exibidos?! Pra qual das duas competições deveriam ter ido os melhores repórteres e os narradores estrelas?! Qual deveria ser a abertura mais exuberante?! A abertura dos jogos da seleção do Ronaldinho ou a seleção do Marquinhos (ou pra ficar mais claro, a seleção de futebol de cinco de deficientes visuais)?! Gente! Eles jogam bola, driblam, fazem gol; eles ganharam medalha de ouro não por jogar “menos ruim”. Não! Eles deram show de bola!!! Eles passaram dos limites inimagináveis e ganharam medalha de ouro. E nenhum dos atletas de qualquer modalidade terminou os jogos chorando e lamentando. Não, não!!!! Eles festejavam, respeitavam e agradeciam. Fico tão impressionada com os atletas das Paraolimpíadas a ponto de repensar meus valores, conceitos e a importância que dou pra quem ou o quê realmente merece. Talvez eu tenha entendido algo tortuoso. Mas acho que sentamos pra assistir s jogos errados. A começar pelo fato das Paraolimpíadas nem serem exibidas... E quem sentaria pra ver Daniel nadar (e ganhar nove medalhas, sendo quatro de ouro...) se pudesse assistir Marta jogar?! Marta é ótima, é inegável; mas onde há maior superação?! Na final das Paraolimpíadas Li Yue, uma menina que perdeu uma perna no terremoto de Sichuan, cantou. Ela não tinha uma perna, mas eram Paraolimpíadas, era óbvio o sentido. Então ela CANTOU. E sabe por que a ênfase?! Porque sabemos que na abertura das Olimpíadas em que o mundo inteiro estaria diante da televisão a criança que cantou a música foi substituída por questão de “melhor estética”. Afinal de contas, era preciso oferecer o melhor! E se ela sabia cantar mas não era bonita, era só colocar outra pra fingir cantar. O importante era o que ia ser visto! Podia ser mentira, desde que fosse bonito! Talvez seja por isso. Porque nas Paraolimpíadas não havia estrelas, beldades e máquinas. Eram somente deficientes competindo com outros deficientes. Certo que eles passaram anos, ou talvez a vida inteira lutando contra os preconceitos, às limitações, às lamúrias, à humilhação dos ‘normais’ e se superaram como atletas e seres humanos. Mas e daí?! Quem valoriza isso?! O único conforto e esperança é saber que o mundo onde as pessoas não param para assistir os jogos Paraolímpicos é o mesmo mundo onde os portadores de deficiências continuam buscando força, entusiasmo e ânimo para continuar a superação que independe do que existe ou falta no corpo humano. Fantástico, lindo. Um show!

2 comentários:

Rogério Morais disse...

Realmente vivemos num mundo em que o que predomina é a valorização das aparências. Os valores e princípios são muitas vezes sacrificados ou deixados de lado por causa disso. Certamente a cobertura das Paraolimpíadas não geraria dinheiro o suficiente para as emissoras, por isso, o evento não teve a mesma importância das "Olimpíadas dos normais". Entretanto, a belíssima campanha do Brasil nas Paraolimpíadas é um exemplo de que, mesmo em situações bem adversas, é possível dar o melhor, fazer bonito e honrar a camisa do país. Concordo com tudo q vc falou Eldinha. Parabéns pelo blog!

Danilo disse...

O que vc disse sobre a menina que trocou de lugar com a outra que era mais bonita, me lembrou de algo que eu já havia pensado antes: as pessoas preferem uma mentira bonita do que uma verdade feia. Poucas são as pessoas que possuem uma preparação psicológica para enfrentar a Verdade.