2 de setembro de 2008

Amor em silêncio

Eu tinha que falar dele. Eu tinha que senti-lo. Tocá-lo. Hoje vai parecer contrição, pesar... Mas nada mais é do que amor. E tristeza. Por ter perdido o meu melhor abraço, o mais seguro, o mais certo. Tinha certeza de que não estava indo despedir-me dele. Não. Eu estava indo deixar parte de mim a uma distância incalculável. Estava despedindo-me de mim mesma. Uma parte de mim que ninguém nunca mais terá. E eu nunca, nunca vou acreditar. Até o dia que me encontrarei novamente naqueles braços. Digno. Perfeito por todos os defeitos e segredos. Referência de amor real, concreto, visível. Nunca uma palavra, só gesto. Nunca ouvi um “eu te amo”. Nunca o disse. Nunca me senti tão amada. Nunca tive tanta certeza de amar. Mesmo aceitando a única verdade absoluta da vida, nunca trabalhei a idéia de que de fato aconteceria, e um dia eu estaria lá sem ele. Não trabalhei com fatos, tempo. Não me permitia. Estava ocupada demais apaixonada, admirando, imitando e amando... Quanto amor! Amor que eu sempre soube existir em vida. Amor que eu valorizava e podia tocar. Meu referencial. Meu primeiro amor, e certo, e puro. O homem da minha vida, a quem sigo e admiro desmedidamente. Sorriu e fez sorrir em vida. Sorriu para a morte, e foi o mais honrado de todos. Soube viver e soube morrer. Entendi agora que todas as homenagens e honras que recebeu não eram para ele assistir. Era para que eu pudesse ver e sentir a dádiva indescritível de viver uma vida com caráter, uma vida de boas obras, em silêncio. Sei que nesta vida não será o último a me deixar. Mas ninguém teria esse poder de substituir completamente a saudade por gratidão e admiração. Gratidão por sua vida, sua presença. Sempre serei grata. Sempre admirarei. Sempre terei saudades. Até mais uma vez dizer tudo isso através do abraço. O seu abraço. O nosso abraço que, de todos os gestos, será a mais forte e mais intensa prova de que amor não precisa de palavras. A lição: o amor não pode ser definido ou sentido em palavras, e por isso mesmo, transforma-se em atos que, com ironia, dispensarão qualquer palavra. Aprendi o amor em silêncio. Então eu não preciso falar nada, como nunca precisei ouvir. Mas eu senti, eu ainda sinto. E transmitirei a outros todo o amor compartilhado nesta vida. É minha promessa ao amor que tantas vezes me abraçou. O nosso amor sempre esteve presente no silêncio. E a dor... Silêncio.

6 comentários:

Alice disse...

Lágrimas e mais lágrimas...

Deu até pra sentir o cheirinho gostoso dele! =/

Anonymous disse...

bj lizinha:*

Anonymous disse...

ele com ceteza diria assim para todas nós...

"Por você faria isso mil vezes..."
...tenho certeza Eldinha, onde ele estiver, estará olhando por nós que o amamos tanto...

Anonymous disse...

Triztezas e alegrias a morte de um amigo, parente, etc... é muito doloroza
Te adoru muito Karolina.

The Scientist disse...

ele foi, mas não antes da hora...
não antes de ter praticado e ensinado o amor...
ele foi mas deixou, silenciosamente, a promessa de um reencontro...
abraço bem grande!

Thalita disse...

Uma coisa que vc disse é certíssima...
"Mesmo aceitando a única verdade absoluta da vida, nunca trabalhei a idéia de que de fato aconteceria, e um dia eu estaria lá sem ele."
Mas a gente sempre espera q a presença será eterna. E se a gente quiser de fato será... Basta sempre estarmos com a pessoa que amamos em nossos pensamentos e boas lembranças...
Pensando assim,nunca há de fato uma "separação".
Fica bem amiga!!!
Mil bjinhos...