Depois que você chegou eu gosto mais de amarelo. Sempre fui de tons mais fechados, cores sóbrias e neutras. Isso quando não assumia o branco de dias nublados. Dias brancos sempre foram meus preferidos, talvez pela melancolia das nuvens bem juntas. Mas depois que você chegou os dias amarelos ficaram mais amigos. É uma coisa mais solar, um jeito mais alegre. Você trouxe um pouco de distração, uma quase preguiça. Era o que faltava, era o recheio, o meio. Hoje acho que a claridade pode ser tão confortável quanto a sombra. Amar, mar, elo. Depois que você chegou eu gosto mais do mar, de amar. Consigo ver um pouco de amarelo no canto do sorriso, vejo melhor a luz - amarela - da lua e sinto com afeto o sol matinal me abraçar generosamente. Você aprendeu o aconchego dos meus dias brancos e eu aprendi a disposição dos teus dias amarelos - e todas as implicações das cores em nossos olhares. Sei que existem outros tons e cores, mas o que pode ser mais alegre que o amarelo?! É tudo luz, é tudo brilho. O passo anda mais solto, as mãos mais espertas e os sentimentos mais livres. Depois que você chegou eu gosto mais de amarelo. Gosto mais do mar. Gosto mais de amar. Gosto mais de você. E gosto mais de mim.
11 de fevereiro de 2012
Amarelo
30 de janeiro de 2012
Das voltas
Ela caminhava como se fosse voar - rápida e alegremente. Sorriu para as três senhoras com quem cruzou. Sorriso assim de graça. Foi correspondida. Sentia o ar diferente, embora repetisse os passos do dia anterior. Estava leve, leve. Sentia um abrir de portas, um movimento nas coisas, um sopro diferente. Podia ouvir o som da música escrita pelos pombos que repousavam nos fios dos postes. Era poesia pura. Imaginou janelas abertas, luz forte e vontade de sair. Apressou o passo, queria que fosse bonito. Era uma volta, sentia. Ela de volta, eles, ela. Sentia a emoção do retorno, como quando pela janela do ônibus se podem ver os abraços que vai receber na chegada. Então viu um senhor na calçada, que caminhava em sua direção. Um senhor bonito, de terno alinhado, elegante como se estivesse preparado para ela. Ele afastou-se um pouco quando ficaram lado a lado, sorriu um sorriso doce, fez sinal com as mãos para que ela seguisse, assim como cavalheiros de sonhos, e disse: - “pois não, senhorita”. Ela cruzou cativada, com um risinho tímido e sincero. O gesto foi importante, foi o portão de entrada. Entendia que tudo estava de volta e poderia transbordar o reencontro inevitável: a poesia das coisas, a leveza, a esperança, ela mesma. Tudo estava de volta.